15 de agosto de 2008
Neoliberalismo
Final do século XIX – discussões a respeito das ideologias: Capitalismo, socialismo, neoliberalismo.
A partir de 1917, Revolução Russa.
Princípio básico: IGUALDADE
O Comunismo considera todos iguais, portanto os bens são do governo e este distribui, igualmente por todos; abolição total da propriedade privada.
Para o Socialismo não são todos iguais e o governo não deve interferir deixando o mercado regular a distribuição de bens; abolição parcial da propriedade privada com uma política de redistribuição.
Serviços essenciais vão para a responsabilidade do Estado. Os particulares recebem, gradativamente, recursos redistribuídos, através dos impostos, dos ricos para os mais pobres.
Após a primeira guerra, em 1917, EUA e URSS aumentam sua influência pelo mundo, montando bases de mísseis de forma a controlar o outro e formam dois grandes blocos de países. EUA cria a OTAN e defendem o Capitalismo; a URSS, por sua vez, com o pacto de Varsóvia defende o Comunismo. Estava tudo pronto para o conflito mundial.
Durante a segunda guerra, os Estados Unidos constroem a Bomba Atômica e a Rússia também constrói a sua, a tal ponto que um confronto direto entre essas duas potências acabaria com o mundo.
Em 1946, após o término da segunda guerra, Getúlio Vargas cobra dos EUA a promessa de investimento feita aos aliados e, simplesmente, não obtém nenhuma ajuda. O plano Marshall subsidiou somente os países europeus na reconstrução pós-guerra.
A Europa investiu no Estado de Bem estar Social (“Well Faire State”) em que o Estado fornecia recursos para as áreas da Saúde, Educação e Habitação, esta última que gerava muitos empregos com a construção de conjuntos habitacionais.
Com a revolução cubana contra os EUA a Rússia tentou instalar bases militares em Cuba e provocou novo incidente mundial.
O estado de bem estar social vai contra a filosofia liberal em que o Estado deve se submeter às regras do mercado.
Com receio do Comunismo se desenvolver no Brasil os EUA criaram a noção do Estado Normativo para vigiar atentamente e intervir na economia e patrocinou o acordo de Bretton Woods em 1944.
Os capitalistas culpavam o estado de bem estar social pelas crises de 1973, 1979 e 1982.
22 de agosto de 2008
Declaração universal dos direitos humanos
Em um estado de direito todos estão subordinados aos preceitos jurídicos. Por um lado o estado tem que ser autônomo e por outro ele tem que ser democrático, mas quem fiscaliza e quem garante que ele é?
No caso dos Estados Unidos, o sul apoiava a escravidão porque a agricultura dependia dessa mão-de-obra, enquanto que o norte não apoiava e por este motivo houve a guerra de secessão.
Esta luta pela libertação e pelo direito civil não aconteceu só com os negros, mas com as mulheres também.
Tudo isso levou a ONU a discutir como escrever uma lei que servisse a todos os países e culturas, portanto a questão dos direitos humanos se imbrica com o estado de direito.
O terrorismo é politicamente correto?
Resolução 217 A3 de 1948 da ONU
Filmes indicados:
A caçada
Terra de ninguém
Hotel Ruanda (Tutsis e Hutus)
Art. 12 até o art., 16, da CF.
Artigo I - Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.
Artigo II - Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.
Artigo III - Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.
Artigo IV - Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.
Artigo V - Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Artigo VI - Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.
Artigo VII - Todos são iguais perante a lei e tem direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.
Artigo VIII - Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.
Artigo IX - Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.
Artigo X - Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.
Artigo XI -
1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.
2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.
Artigo XII - Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.
29 de agosto de 2008
Declaração universal dos direitos humanos
Artigo XIII -
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.
2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.
Ex:
Abadia
Salvatore Cacciola
Artigo XIV-
1. Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.
2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XV -
1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.
Artigo XVI –
1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.
2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.
Artigo XVII -
1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.
2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.
Artigo XVIII - Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.
Artigo XIX - Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.
Artigo XX -
1. Toda pessoa tem direito à liberdade de reunião e associação pacíficas.
2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.
Artigo XXI -
1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de sue país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.
2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.
3. A vontade do povo será a base da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo equivalente que assegure a liberdade de voto.
Artigo XXII - Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.
Artigo XXIII -
1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.
4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.
Artigo XXIV - Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.
Artigo XXV -
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio gozarão da mesma proteção social.
Artigo XXVI -
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.
3. Os pais têm prioridade de direito de escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
Artigo XXVII -
1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.
2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.
Artigo XVIII - Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.
Artigo XXIV
1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.
2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.
3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.
Artigo XXX - Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.
Conclusão:
Multiculturalismo
Consiste no direito do cidadão estrangeiro poder em qualquer pais manifestar a sua própria cultura.
05 de setembro de 2008
Declaração universal dos direitos humanos
Toda a essência do Direito está, profundamente, vinculada com os Direitos Humanos e a base destes são a Liberdade e a Igualdade.
A única igualdade que ainda existe, em todo o mundo, é a Jurídica, apesar da não existência de Justiça Social, Econômica ou Política.
Antes o Estado e o Governo eram os que zelavam pelos direitos. Os burgueses, no passado, já queriam que o estado garantisse os Direitos.
Na Ásia, não havia o conceito de Direitos e sim de Deveres, portanto, a grande conquista do homem são os direitos humanos que , hoje , podem ser usados pelo cidadão contra o Estado.
A idéia era que o Direito natural poderia se transformar em um conjunto de direitos que valessem para todos os homens.
O primeiro direito de um cidadão contra o Estado foi o HC (“Habeas Corpus”), que surgiu na Inglaterra.
O primeiro documento que declarava os direitos humanos foi elaborado no estado da Virginia e escrito por Madson em 1776.
Em 1779, a Declaração de Independência dos EUA ratificou estes direitos e mais tarde na forma de Constituição novamente confirmava.
Foi tão bem elaborado que em 1791, na França, foi escrita a Declaração dos Direitos do Cidadão.
Estes tres documentos tornaram o Jusnaturalismo positivado.
Até então, o Direito só entendia a Liberdade NEGATIVA, ou seja, tudo que a lei permite é o que eu posso fazer, do contrário é proibido.
Igualdade somente perante a lei e o conceito mais antigo de Justiça se resumia em “dar a cada um o que é seu na medida da sua capacidade”.
12 de setembro de 2008
ATIVIDADE PRÁTICA
Tema para dissertação:
“Relação entre os princípios da declaração universal dos direitos humanos e o respeito aos direitos fundamentais no Brasil”.
19 de setembro de 2008
Max Weber
No século XX, Max , escreveu “Economia e Sociedade”, seu livro mais importante.
Tres se destacaram:
1. Durckein
2. Marx
3. Weber
Weber foi muito criticado pelos seguidores de Marx.
A questão era:
“A ciência pode ou não ser neutra?”
A base do marxismo (Marx) é a seguinte afirmação:
“Todas as relações humanas (sociais) tem sua origem nas necessidades econômicas.”
Ou:
“Todas as relações sociais são determinadas pelas necessidades econômicas.”
Para ele existiam duas classes:
1. Dominantes – querem se manter no poder para não perder as regalias;
2. Dominados – querem ascender ao poder para terem as regalias;
Define que a sociedade é feita de duas partes (“Introdução à critica da economia política”):
SUPERESTRUTURA – política, cultura e o mercado
INFRAESTRUTURA – bens; carros, fabricas e materiais.
Por trás da política e da cultura estão os interesses econômicos.
Weber nasce depois de Marx e critica o seu pensamento mecanicista. Diz que, as vezes, a SUPERESTRUTURA caminha antes da INFRAESTRUTURA.
Weber fala da razão e da cultura, e afirma que são duas as vocações humanas:
1. Política
2. Cientifica
Weber acredita que o cientista se afasta da sociedade para escrever uma lei de forma neutra, enquanto que Marx diz que é impossível porque o cientista é parte desta sociedade.
Weber escreveu: “A ética protestante e o espírito do capitalismo”.
A Igreja, da época, condenava o comercio dos Burgueses aos quais chamava de pecadores, pois só existiam Ricos (por desígnio de Deus) e Pobres (para merecerem o reino de Deus).
Lutero protestou contra a Igreja que explorava a todos pela religião vendendo relíquias sagradas e criou o Protestantismo.
Weber percebeu que os países protestantes eram mais desenvolvidos do que os não protestantes.
Para os marxistas foram os burgueses que criaram o protestantismo e não este que deu origem a burguesia.
Para Marx a luta é entre os atos materiais e não idéias;
Para Weber a luta é entre idéias e não atos materiais.
Weber, positivista, diz que as relações sociais são produtos dos fatores econômicos sim, mas, principalmente, da disputa de idéias.
26 de setembro de 2008
Max Weber
Existem duas correntes:
1. Marxismo (Marx) ciência é ideologia, portanto o cientista atenderá a uma das duas classes identificadas em sua época:
a. Explorados
b. Exploradores
2. Positivismo (Weber) a ciência tem que ser neutra, trabalha com a realidade única e não tolera versões;
Para Marx os cientistas atendem aos exploradores ou aos explorados; a luta é entre os interesses econômicos.
Para Weber a luta é entre as idéias, portanto o cientista tem que ser neutro.
Para ser neutro, Weber estabelece um padrão de comparação, um tipo ideal, uma construção teórica abstrata.
Questiona o que faz um homem se subordinar a outro da mesma espécie? Qual o padrão que obriga a isso?
Define então, tres espécies de dominação legítima:
Legal
Tradicional
Carismática
Dominação legal ou racional
Advêm da razão e seu líder tem que ter competência.
03 de outubro de 2008
(correção da prova)
(faltei)
BUROCRACIA (poder do escritório)
A indicação pessoal foi substituída pela competência.
O critério da escolha pessoal é afetivo e a competência é racional.
Weber diz que o capitalismo introduz a racionalidade nos homens, mas junto introduz a delegação.
10 de outubro de 2008
Teorias da dominação legítima (Max Weber)
1. Dominação racional ou legal
2. Dominação tradicional
3. Dominação carismática
OBS: Conselho de Washington decálogo com os 10 pontos que um país deveria cumprir para obter empréstimo do FMI;
Uma boa teoria explica a realidade e as tres teorias de Weber explica, até hoje, a maioria dos governos no mundo.
Uma boa administração, moderna, se pauta pela razão, com base na competência, quando antigamente era com base na indicação.
Dentro de um principio de racionalidade, junto com a competência, vem a responsabilização que se origina com a burocracia.
CARACTERÍSTICAS:
1. Na Dominação Racional:
a. O poder não é pessoal
b. O poder vem da norma
2. Na Dominação Tradicional:
a. O poder é fundado nos Usos e Costumes
b. Os subordinados são escolhidos por fidelidade e confiança;
O Direito também se divide em dois tipos históricos:
1. Direito positivo vem da LEI dos Códigos;
2. Direito jurisprudencial vem dos Usos e Costumes “COMMON LAW” é CONSUETIDINARIO
Obs: “AT LAST BUT AT LEAST” Por fim mas não por último.
17 de outubro de 2008
Teorias da dominação legítima (Max Weber)
a. Dominação racional ou legal
b. Dominação tradicional
c. Dominação carismática
Na Dominação carismática:
O poder é pessoal e concedido ao líder por seus seguidores, lhe pertencendo enquanto conseguir mantê-lo. São os seguidores do líder que lhe atribuem a autoridade de governar, com base em características intrínsecas de sua personalidade como heroísmo, paternalismo, caudilhismo, personalidade “mágica”, profética, etc. Trata-se do pai, do herói de guerra, do profeta, do herói da rua, etc.
Seus governados não são súditos, são seguidores, e permanecem ligados ao Líder pela fé inabalável em sua capacidade de guiá-los.
Os funcionários são escolhidos com base na capacidade de estabelecer as relações e a comunicação entre o líder e a população.
É o tipo tradicional de dominação paternalista, populista, etc.
Os homens por suas características pessoais podem ter dois tipos de vocação, a vocação científica e a vocação política.
Toda atividade orientada segundo a ética pode ser subordinadas a duas máximas inteiramente diversas e irredutivelmente opostas:
1. A ÉTICA DA CONVICÇÃO –
a. E daquele que ao agir politicamente não abre mão de seus princípios e verdades, assumindo uma atitude intransigente na qual as conseqüências de seus atos, não podem limitar a convicção de suas crenças. Acredita que ao contemporizar e recuar diante de situações reais trairá seus princípios, ou se acovardará. Age somente pelo que acredita independente das conseqüências. Quando as conseqüências de um ato praticado por convicção se revelam desagradáveis, o partidário de tal ética não atribuirá responsabilidade ao agente (a si mesmo), mas ao mundo, a tolice dos homens ou à vontade de Deus, que assim criou os homens.
2. A ÉTICA DA RESPONSABILIDADE –
a. O partidário da ética da responsabilidade, ao contrário, contará com as fraquezas comuns do homem, e entenderá que não pode lançar sobre ombros alheios as conseqüências previsíveis de sua própria ação. Dirá, portanto: essas conseqüências são imputáveis de minha própria ação. Entende que muitas vezes é necessário recuar, fazer concessões, caminhar mais lentamente e principalmente medir as conseqüências de seus atos.
24 de outubro de 2008
FUNÇÃO INTEGRATIVA DO DIREITO (Talcott Parsons)
Parsons morreu em 1979; era sociólogo e autor da teoria em título, que além de funcional é uma teoria estrutural.
Um sistema é dividido em partes e todas as partes funcionam para que todo o sistema também funcione.
O corpo é um sistema e como tal depende de sub-sistemas que o compõe para seu bom funcionamento, cada um deles com a sua autonomia própria.
Parsons entende a sociedade como um grande organismo repleto de sub-sistemas, tais como a Economia, a Política, a Educação, a Ciência, a Administração e a Justiça.
A teoria dos sistemas diz que todos os sub-sistemas interferem entre si num processo simbiótico mas funcionam independentes.
Para Parsons existem sistemas:
1. Abertos são os que estão todo o tempo interagindo com os demais;
2. Fechados são os que funcionam de forma independente.
Todo organismo busca o equilíbrio para funcionar bem. Se um dos sub-sistemas funciona mal o corpo procura equilibrar.
Na sociedade o sistema que integra os demais é o Direito, portanto tem função integrativa e Parson, da mesma fora que Kelsen, afirma que a norma é absoluta e é para todos.
31 de outubro de 2008
TEORIA AUTOPOIÉTICA DO DIREITO (Niklas Lunmann) não foi ministrado;
Matéria da segunda prova semestral:
1. Neoliberalismo
2. Declaração dos direitos humanos
3. Marx Weber
Revisão
NEOLIBERALISMO:
1. Regulamentação
2. Desregulamentação
Após a quebra das bolsas em 1929;
1. Nos EUA, o presidente Roosevelt, para sair da crise econômica, taxou os ricos e aplicou os recursos em obras públicas gerando empregos;
2. Na Inglaterra, o ministro Keynes apostou no “well fair state” (estado de bem estar social) o que desagradou os liberais;
Nos EUA a idéia de auto-regulação do Mercado ficou cada vez mais forte (“a mão invisível”) porque o Mercado tem regras objetivas, matemáticas como Oferta e Demanda, salário e consumo.
Na época dos governos Reagan e Tatcher (a dama de ferro) resolveu-se eliminar os últimos resquícios do socialismo e mostrar na prática que o livre mercado teria sucesso.
Então foi promovido um forte processo de Desregulamentação em que Margareth Tatcher, chegou a pedir ao parlamento o fim da previdência social pública, não obtendo êxito, mas aboliu o seguro desemprego.
Este processo de desregulamentação foi tão forte que nos EUA os Bancos emprestavam, mediante declarações não comprovadas, valores em dobro do que valiam as propriedades dadas em garantia; até que em agosto de 2007 começou a crise que estamos presenciando, pela falta da regulamentação.
Quando os bancos foram executar seus devedores, as propriedades pagavam metade do que tinham emprestado e, além disso, deixaram sem moradia mais de um milhão de norte-americanos.
Portanto a falta de normas leva ao caos porque a ganância humana não tem limite.
DIREITOS HUMANOS
Aqui a questão principal é se o Direito é produto da sociedade ou se é inerente ao Ser Humano;
Seria possível criar normas universais sem considerar a questão das soberanias nacionais e das culturas locais? Daí questiona-se: o terrorismo é juridicamente aceitável? Seria possível criar leis multiculturais?
Diante de tantas questões a Declaração dos Direitos Universais se apresenta como uma meta a ser perseguida, como uma diretriz a ser positivada em cada cultura até os seus limites.
COMO SURGIU A SOCIOLOGIA?
A sociologia, ciência que tenta explicar a vida social, nasceu de uma mudança radical da sociedade, resultando no surgimento do capitalismo.
O século XVIII foi marcado por transformações, fazendo o homem analisar a sociedade, um novo "objeto" de estudo. Essa situação foi gerada pelas revoluções industrial e francesa, que mudaram completamente o curso que a sociedade estava tomando na época. A Revolução Industrial, por exemplo, representou a consolidação do capitalismo, uma nova forma de viver, a destruição de costumes e instituições, a automação, o aumento de suicídios, prostituição e violência, a formação do proletariado, etc. Essas novas existências vão, paulatinamente, modificando o pensamento moderno, que vai se tornando racional e científico, substituindo as explicações teológicas, filosóficas e de senso comum.
Na Revolução Francesa, encontra-se filósofos a fim de transformar a sociedade, os iluministas, que também objetivavam demonstrar a irracionalidade e as injustiças de algumas instituições, pregando a liberdade e a igualdade dos indivíduos que, na verdade, descobriu-se mais tarde que esses eram falsos dogmas. Esse cenário leva à constituição de um estudo científico da sociedade.
Contra a revolução, pensadores tentam reorganizar a sociedade, estabelecendo ordem, conhecendo as leis que regem os fatos sociais. Era o positivismo surgindo e, com ele, a instituição da ciência da sociedade. Tal movimento revalorizou certas instituições que a revolução francesa tentou destruir e criou uma "física social", criada por Comte, "pai da sociologia". Outro pensador positivista, Durkheim, tornou-se um grande teórico desta nova ciência, se esforçando para emancipa-la como disciplina científica.
Foi dentro desse contexto que surgiu a sociologia, ciência que, mesmo antes de ser considerada como tal, estimulou a reflexão da sociedade moderna colocando como "objeto de estudo" a própria sociedade, tendo como principais articuladores Auguste Conte e Émile Durkheim.
FILOSOFIA - KARL MARX
Como pareceria o mundo hoje, se Karl Marx tivesse realizado seu projeto de vida original? É que o jovem Marx se considerava um porta nato, e alguns produtos de suas inspirações poéticas chegaram até nós. Eles trazem títulos altamente líricos, algo como "Canto dos elfos", "Canto dos gnomos" ou "Canto das sereias", ou seja, trata-se de fúteis cantilenas mitológicas. Uma poesia particularmente comovedora, ainda que profundamente triste, é intitulada "Tragédia do destino". Vale citar algumas estrofes:
"A menina está ali tão reservada,
tão silente e pálida;
a alma, como um anjo delicada,
está turva e abatida...
Tão suave, tão fiel ela era,
devotada ao céu,
da inocência imagem pura,
que a Graça teceu.
Aí chega um nobre senhor
sobre portentoso cavalo,
nos olhos um mar de amor
e flechas de fogo.
Feriu-a no peito tão fundo;
mas ele tem de partir,
em gritos de guerra bramando:
nada o pode impedir".
Mas Marx também encontra outro tom:
"Os mundos uivam o próprio canto fúnebre.
e nós somos macacos de um Deus frio".
Após essa amostra, surge a pergunta se a poesia alemã perdeu muito com a decisão de Marx, ainda que sob profusos sofrimentos da alma, de abdicar da carreira poética. Em todo caso, o pai, um advogado bem-sucedido, exprime-se assim: "Lamentaria ver você como um poetinha." Sugere, entretanto, que o filho escreva uma "ode em grande estilo" sobre a Batalha de Waterloo. Os pósteros, porém, dependendo de se enxergar no marxismo a salvação ou a perdição do mundo, sentem-se aliviados ou angustiados por Marx ter desistido, após longo tempo, de cavalgar o Pégaso.
Karl Marx nasce em 1818, em Trier, "a menor e mais desgraçada aldeia, cheia de mexericos e ridículos endeusamentos locais". De sua juventude não se sabe nada de significativo. Interessante é no máximo observar que o futuro ateísta fanático tenha escrito um ensaio de conclusão do curso secundário sobre o tema "A Unificação dos Crentes em Cristo". Depois, quando segue para Bonn a fim de estudar Direito, encontra notoriamente dificuldades em lidar com as coisas exteriores. Em todo caso, assim lhe escreve a mãe apreensiva: "Você não deve considerar de modo algum uma fraqueza feminina, se eu agora estiver curiosa para saber como tem administrado sua vida doméstica, se a economia representa também algum papel, o que é uma necessidade inevitável tanto para grandes como para pequenas casas. Permito-me assim observar, querido Karl, que você nunca deve considerar limpeza e ordem coisas secundárias, pois disso depende a saúde e o bem-estar. Observe rigorosamente que seu quarto seja lavado. E lave-se você também, querido Karl, semanalmente com esponja e sabonete." Essa advertência certamente não é sem fundamento, pois as condições sob as quais Marx conduz seus estudos são tudo menos ordeiras: ingressa em uma corporação e, se as notícias sobre isso procedem, é ferido em um duelo. É encarcerado por "perturbar a ordem com alarido noturno e bebedeira". É indiciado por "porte ilegal de arma". Acumula dívida sobre dívida. Não obstante, fica noivo de Jenny von Westphalen, se bem que a nobre família da noiva só tenha aceito o zé-ninguém com hesitação. Até seu pai o adverte sobre o "exagero e exaltação do amor de uma índole poética" de ligar-se a uma mulher.
Após dois semestres, Marx continua seus estudos em Berlim, mas também lá se evidencia que ele não é nenhum estudante modelar. Seu pai tem razão em se queixar. "Desordem, divagação apática por todas as áreas do saber, meditação indolente junto da sedenta lamparina de azeite; embrutecimento erudito em robe de chambre em vez de embrutecimento junto da caneca de cerveja, insociabilidade repugnante com menosprezo total pelas boas maneiras", tudo isso ele censura no filho. Marx assiste apenas a poucas aulas, e mesmo essas antes do âmbito da Filosofia e da História do que do âmbito do Direito. Por semestres inteiros quase não freqüenta a universidade. De qualquer modo ele se forma aos 23 anos com um trabalho sobre um tema filosófico, em Jena, sem nem sequer ter estado lá por uma única hora. Mas esses acontecimentos não o impressionam. Para ele mais importante é pertencer ao "Clube do Doutor", uma agremiação de jovens discípulos de Hegel, e lá discutir dia e noite. Seus amigos atestam que ele é um "arsenal de pensamentos", uma "alma-danada de idéias". Ao mesmo tempo escreve "um novo sistema metafísico fundamental". Naturalmente, quer se tornar professor; mas desiste quando vê que seus amigos, os hegelianos de esquerda, quase sem exceção naufragavam no governo reacionário.
Em vez disso, Marx torna-se redator no Jornal Renano, de tendência liberal, publicado em Colônia. Essa atividade força-o a ocupar-se com problemas concretos de natureza política e econômica. Ele redige a folha em um espírito intrépido e liberal. Porém, recusa rudemente o comunismo, do qual mais tarde deveria tornar-se o cabeça. Após breve tempo, contudo, tem de suspender sua atividade de editor sob pressão policial. O jornal – "a meretriz do Reno", como o rei prussiano havia por bem chamá-lo – deixa de ser publicado.
Depois de ter-se casado com sua noiva de longos anos, Marx dirigi-se para Paris, onde edita juntamente com seu amigo Arnold Ruge os Anuários Franco-Germânicos. Por um tempo vive juntamente com a família Ruge em uma "comunidade comunista", que porém logo se desagregaria devido à incompatibilidade de gênios. Em Paris, Marx entra em contato com Heine e com socialistas franceses. Mas também sua permanência nesta cidade não é muito longa. A pedido do governo prussiano é expulso da França e estabelece-se provisoriamente em Bruxelas, onde funda o primeiro partido comunista do mundo (com 17 membros). Marx vai por pouco tempo para Londres, retornando então durante a Revolução de 1848 – por ocasião da qual escreve O Manifesto Comunista –, à França e à Alemanha a fim de promover seus planos revolucionários. Em Colônia, funda o Novo Jornal Renano. Mas é novamente expulso e vive até seus últimos dias, com apenas algumas interrupções para breves viagens ao continente, em Londres. Porém, todos esses anos em Paris e Bruxelas são cheios de contendas amargas e não particularmente tolerantes conduzidas contra revolucionários dissidentes; há também um trabalho intensivo em manuscritos filosóficos e econômicos, os quais em grande parte só serão publicados após sua morte.
Em Londres, Marx vive em situações muito limitadas com uma família que se multiplica com rapidez. Freqüentemente padecem necessidades. A fundação de um jornal fracassa. Marx tem de levar a vida em grande parte por meio de donativos, sobretudo de seu amigo Friedrich Engels. As condições de moradia são na maioria das vezes catastróficas; ocasionalmente, até a mobília é penhorada. Ocorre inclusive de Marx nem sequer poder sair de casa por sua roupa ter sido penhorada. As doenças perseguem a família; apenas algumas das crianças sobrevivem aos primeiros anos. Pressionado por dívidas, Marx pensa em declarar bancarrota; apenas o fiel amigo Engels consegue impedir esse ato extremo. A senhora Jenny desespera-se freqüentemente e deseja para si e suas crianças antes a morte do que viver uma vida tão miserável. Acresce que Marx se envolve em um caso amoroso com a empregada doméstica, que não fica sem conseqüências e prejudica sensivelmente o clima doméstico já afetado pela miséria financeira. Continuam também as desavenças com os correligionários. Apesar de tudo, Marx trabalha ferreamente, ainda que interrompido por períodos de inatividade causada por esgotamento, em sua obra-prima, O Capital. Ele consegue enfim publicar o primeiro volume; como quase não aparecem comentários, ele mesmo escreve críticas positivas e negativas. Em 1883 porém, antes que a obra de três volumes esteja completa, Marx morre aos 65 anos.
O aspecto e a personalidade de Marx são descritos por um amigo russo de modo bem intuitivo, ainda que sua magnífica barba seja esquecida: "Ele representa o tipo de homem constituído por energia, força de vontade e convicção inflexível, um tipo que também segundo a aparência era extremamente estranho. Uma grossa juba negra sobre a cabeça, as mãos cobertas pelos pêlos, o paletó abotoado totalmente, possuía contudo o aspecto de um homem que tem o direito e o poder de atrair a atenção, por mais esquisitos que parecessem seu aspecto e seu comportamento. Seus movimentos eram desastrados, porém ousados e altivos; suas maneiras iam frontalmente de encontro a toda forma de sociabilidade. Mas eram orgulhosas, com um laivo de desprezo, e sua voz aguda, que suava como metal, combinava-se estranhamente com os juízos radicais que fazia sobre homens e coisas. Não falava senão em palavras imperativas, intolerantes contra toda resistência, que aliás eram ainda intensificadas por um tom que me tocava quase dolorosamente e que impregnava tudo o que falava. Esse tom expressava a firme convicção de sua missão de dominar os espíritos e de prescrever-lhes leis. Diante de mim estava a encarnação de um ditador democrático, assim como se fosse em momentos de fantasia."
Desde o início de sua atividade filosófica, Marx insere-se na maior disputa espiritual de seu tempo, determinada pela vultosa figura de Hegel, cujo pensamento ele chama de "a filosofia atual do mundo". Inicialmente, Marx dedica-se a Hegel com paixão para, depois, distanciar-se dele com tanto maior aspereza.
Sua crítica inicia-se pela concepção da história de Hegel. Para este, a história não é uma mera seqüência casual de acontecimentos, mas um suceder racional que se desenvolve segundo um princípio imanente, ou seja, uma dialética interna. O decisivo nisso é que o verdadeiro sujeito da história não são os homens que agem. Na história antes dominaria um espírito que tudo abrange, ao qual Hegel designa como "espírito do mundo" ou "espírito absoluto" ou mesmo" Deus". Esse, o Deus que vem-a-ser, realiza no curso da história sua autoconsciência. Ele chega, por meio dos diferentes momentos do processo histórico, a si mesmo.
Hegel era da opinião de que em seu tempo e em seu próprio sistema o espírito absoluto teria, após todos seus descaminhos através da história, finalmente alcançado seu objetivo: a perfeita autoconsciência. "O espírito universal chegou ora até aqui. A última filosofia é o resultado de todas as anteriores; nada está perdido, todos os princípios foram preservados. Esta idéia concreta é o resultado dos esforços do espírito por quase 2500 anos, seu fervoroso trabalho, de reconhecer-se." Portanto, após o surgimento da filosofia hegeliana, não pode haver mais nada realmente inconcebível. Esse é o sentido da conhecida frase do Prefácio à Filosofia do Direito: "O que é racional é real; e o que é real é racional." Razão e realidade chegaram portanto, segundo Hegel, finalmente à adequação uma com a outra; elas foram verdadeiramente conciliadas. O espírito absoluto compreendeu a si mesmo como a realidade total e a realidade total como manifestação sua.
Aqui entra o protesto de Marx. Aquele pensamento de Hegel, de que a realidade toda tinha de ser entendida a partir de um espírito absoluto, consiste para ele em um injustificado "misticismo". Pois assim se filosofa a partir de um ponto acima da realidade factual, não a partir dessa mesma. Em oposição a isso a decidida exigência de Marx – de colocar a filosofia, ora de ponta-cabeça, de volta sobre os pés – é que a visão da realidade deveria ser invertida. A realidade deste mundo não deve ser explicada com base em uma realidade divina. Contrariamente, o ponto de partida do pensamento tem de ser a realidade concreta. Esse pensamento imprime à filosofia de Marx seu cunho ateísta. "A missão da história é, após o além da verdade ter desaparecido, estabelecer a verdade do aquém."
Quando Hegel afirma que a realidade estaria conciliada com a razão, ele não poderia, segundo Marx, ter em vista a realidade concreta. Em Hegel, tudo se passa no âmbito do mero pensamento. Mesmo a realidade sobre a qual ele fala, é a mera realidade pensada. Para Marx, porém, a realidade factual mostra-se contraditória, inconcebível e portanto não conciliada com a razão. Todo o empenho filosófico de Hegel fracassa porque ele não é capaz de incluir essa realidade efetiva em seu pensar, por mais abrangente que esse seja. "O mundo é portanto um mundo dilacerado, que se opõe a uma filosofia fechada em sua própria totalidade."
Para Marx, portanto, a realidade concreta é a realidade do homem. "As pressuposições com as quais iniciamos são os indivíduos reais." A filosofia como Marx a postula – em contraposição a Hegel e em concordância com Feuerbach – é uma filosofia da existência humana. "A raiz do homem é o próprio homem." Marx denomina sua filosofia por isso mesmo de "humanismo real". O real primeiro e originário para o homem é o próprio homem. É dele, portanto, que o novo pensar também tem de partir.
Mas o que é o homem? O significativo aqui é que Marx não considera o homem, como o faz Hegel, essencialmente a partir de sua faculdade de conhecer. Ao contrário, trata-se decisivamente da práxis humana, da ação concreta. "Na práxis, o homem tem de comprovar a verdade, isto é, a realidade, o poder e a mundanalidade de seu pensamento." "Parte-se do homem real que age."
É da essência da práxis humana que ela se realize na relação com o outro. Se Feuerbach queria conceber o homem como indivíduo isolado, Marx ressalta com toda clareza: o homem vive desde sempre em uma sociedade que o supera. "O indivíduo é o ser social." "O homem, isto é o mundo do homem: Estado, sociedade." Essa natureza social constitui para Marx o ponto de partida para toda reflexão subseqüente. Assim deve-se entender a muito discutida frase: "Não é a consciência do homem que determina seu ser, mas é seu ser social que determina sua consciência."
Mas por que meio se constitui a sociedade humana? Marx responde: basicamente, não por meio da consciência comum, mas por meio do trabalho comum. Pois o homem é originariamente um ser econômico. As relações econômicas e particularmente as forças produtivas a elas subjacentes são a base (ou a "infra-estrutura") de sua existência. Apenas na medida em que essas relações econômicas se modificam, também se desenvolvem os modos da consciência, que representam a "superestrutura ideológica". Desta superestrutura fazem parte o Estado, as leis, as idéias, a moral, a arte, a religião e similares. Na base econômica reencontram-se também aquelas leis do desenvolvimento histórico, como as que Hegel atribuiu ao espírito. As relações econômicas desdobram-se de modo dialético, mais precisamente, no conflito de classes. Por isso, para Marx, a história é principalmente a história das lutas de classes.
Até aqui tudo poderia parecer como uma das muitas teorias antropológicas e histórico-filosóficas, em que a história da filosofia é bastante rica, isto é, até interessante mas realmente apenas mais uma interpretação entre muitas outras. Por que, então, o que Marx diz é tão estimulante? Como se explica que seu pensamento tenha determinado tão amplamente o tempo seguinte? Isso reside obviamente em que Marx não se detém no âmbito do pensamento puro, mas que se põe a trabalhar decisivamente na transformação da realidade: "Os filósofos têm apenas interpretado diversamente o mundo; trata-se de modificá-lo."
Nessa intenção, Marx empreende uma crítica de seu tempo. Observa que em seus dias a verdadeira essência do homem, sua liberdade e independência, "a atividade livre e consciente", não se podem fazer valer. Por toda parte o homem é tirado a si mesmo. Por toda parte perdeu as autênticas possibilidades humanas de existência. Esse é o sentido daquilo que Marx chama de "auto-alienação" do homem. Ela significa uma permanente "depreciação do mundo do homem".
Também aqui Marx recorre às relações econômicas. A auto-alienação do homem tem sua raiz em uma alienação do trabalhador do produto de seu trabalho: este não pertence àquele para seu usufruto, mas ao empregador. O produto do trabalho torna-se uma "mercadoria", isto é, uma coisa estranha ou alheia ao trabalhador, que o coloca em posição de dependência, porque ele precisa compará-la para poder subsistir. "O objeto que o trabalho produz, seu produto, apresenta-se a ele como uma essência estranha, como um poder independente do produtor." Da mesma forma também o trabalho se torna "trabalho alienado": não a ele imposto de sua autoconservação; o trabalho torna-se, em sentido próprio, "trabalho forçado". Esse desenvolvimento atinge sua culminância no capitalismo, no qual o capital assume a função de um poder separado dos homens.
A alienação do produto do trabalho conduz também a uma "alienação do homem". Isso não vale apenas para a "luta de inimigos entre capitalista e trabalhador". As relações interpessoais em geral perdem cada vez mais a sua imediação. Elas são mediadas pelas mercadorias e pelo dinheiro, "a meretriz universal". Enfim, os próprios proletários assumem caráter de mercadoria; sua força de trabalho é comercializada no mercado de trabalho, no qual se encontra à mercê do arbítrio dos compradores. Seu "mundo interior" torna-se "cada vez mais pobre"; sua "destinação humana e sua dignidade" perdem-se cada vez mais. O trabalhador é "o homem extraviado de si mesmo"; sua existência é "a perda total do homem"; sua essência é uma "essência desumanizada".
Mas, no ápice desse desenvolvimento – o que Marx crê poder demonstrar –, tem de sobrevir a guinada. Ela se torna possível desde que o proletariado se conscientize de sua alienação. Ele se compreende então como "a miséria consciente de sua miséria espiritual e física, a desumanização que, consciente de sua desumanização, supera por isso a si mesma". Concretamente, segundo os prognósticos de Marx, chega-se a uma concentração do capital nas mãos de poucos, a um crescente desemprego e empobrecimento das massas. Com isso, porém, o capital torna-se seu próprio coveiro. Pois a essa concentração de capital devem seguir-se, segundo "leis infalíveis" – com necessidade histórica, cientificamente reconhecida e dialética –, a subversão e a revolução. A missão dessa revolução é "transformar o homem em homem", para que "o homem seja o ser supremo para o homem". Trata-se de "derrubar todas as relações em que o homem é um ser degradado, escravizado, abandonado e desprezado". Importa realizar "o verdadeiro reino da liberdade", desenfronhar o homem em "toda a riqueza de sua essência" e, com isso, superar definitivamente a alienação.
Marx considera tudo isso tarefa do movimento comunista. É chegado o tempo do "comunismo como superação positiva da propriedade privada enquanto auto-alienação do homem e por isso como apropriação real da essência humana por meio de e para o homem; por isso, como regresso – perfeito, consciente e dentro da riqueza total do desenvolvimento até aqui –, do homem para si mesmo enquanto homem social, ou seja, humano. Esse comunismo é a verdadeira dissolução do antagonismo entre o homem e a natureza e entre o homem e o homem. A verdadeira solução do conflito entre liberdade e necessidade. Ele é o enigma decifrado da história, a verdadeira realização da essência do homem". Com o comunismo, "encerra-se a pré-história da sociedade humana" e inicia-se a sociedade "realmente humana". Mas sobre como essa sociedade comunista deve ser, Marx não nos dá nenhuma informação adicional.
AUGUSTO COMTE
Estudante da Politécnica aos 16 anos, Comte é nomeado em 1832 explicador de análise e de mecânica nessa mesma escola e, depois, em 1837, examinador de vestibular. Ver-se-á retirado desta última função em 1844 e de seu posto de explicador em 1851. Apesar de seus reiterados pedidos, não obterá o desejado cargo de professor da Politécnica, nem mesmo a cátedra de história geral das ciências positivas no Collège de France, que quisera criar em benefício próprio. A obra de Comte guarda estreitas relações com os acontecimentos de sua vida. Dois encontros capitais presidem as duas grandes etapas desta obra. Em 1817, ele conhece H. de Saint-Simon: O Organizador, o Sistema Industrial, e concebe, a partir daí, a criação de uma ciência social e de uma política científica. Já de posse, desde 1826, das grandes linhas de seu sistema, Comte abre em sua casa, rua do Faubourg Montmartre, um Curso de filosofia positiva - rapidamente interrompido por uma depressão nervosa - (que lhe vale ser internado durante algum tempo no serviço de Esquirol). Retoma o ensino em 1829. A publicação do Curso inicia-se em 1830 e se distribui em 6 volumes até 1842. Desde 1831 Comte abrirá, numa sala da prefeitura do 3.° distrito, um curso público e gratuito de astronomia elementar destinado aos "operários de Paris", curso este que ele levaria avante por sete anos consecutivos. Em 1844 publica o prefácio do curso sob o título: Discurso dobre o espírito positivo.
É em outubro de 1844 que se situa o segundo encontro capital que vai marcar uma reviravolta na filosofia de Augusto Comte. Trata-se da irmã de um de seus alunos, Clotilde de Vaux, esposa abandonada de um cobrador de impostos (que fugira para a Bélgica após algumas irregularidades financeiras). Na primavera de 1845, nosso filósofo de 47 anos declara a esta mulher de 30 seu amor fervoroso. "Eu a considero como minha única e verdadeira esposa não apenas futura, mas atual e eterna". Clotilde oferece-lhe sua amizade. É o "ano sem par" que termina com a morte de Clotilde a 6 de abril de 1846. Comte sente então sua razão vacilar, mas entrega-se corajosamente ao trabalho. Entre 1851 e 1854 aparecem os enormes volumes do Sistema de política positiva ou Tratado de sociologia que intitui a religião da humanidade. O último volume sobre o Futuro humano prevê uma reformulação total da obra sob o título de Síntese Subjetiva. Desde 1847 Comte proclamou-se grande sacerdote da Religião da Humanidade. Institui o "Calendário positivista" (cujos santos são os grandes pensadores da história), forja divisas "Ordem e Progresso", "Viver para o próximo"; "O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim", funda numerosas igrejas positivistas (ainda existem algumas como exemplo no Brasil). Ele morre em 1857 após ter anunciado que "antes do ano de 1860" pregaria "o positivismo em Notre-Dame como a única religião real e completas".
Comte partiu de uma crítica científica da teologia para terminar como profeta. Compreende-se que alguns tenham contestado a unidade de sua doutrina, notadamente seu discípulo Littré, que em 1851 abandona a sociedade positivista. Littré - autor do célebre Dicionário, divulgador do positivismo nos artigos do Nacional - aceita o que ele chama a primeira filosofia de Augusto Comte e vê na segunda uma espécie de delírio político-religioso, inspirado pelo amor platônico do filósofo por Clotilde.
Todavia, mesmo se o encontro com Clotilde deu à obra do filósofo um novo tom, é certo que Comte, já antes do Curso de filosofia positiva (e principalmente em seu "opúsculo fundamental" de 1822), sempre pensou que a filosofia positivista deveria terminar finalmente em aplicações políticas e nas fundação de uma nova religião. Littré podia sem dúvida, em nome de suas próprias concepções, "separar Comte dele mesmo". Mas o historiador, que não deve considerar a obra com um julgamento pessoal, pode considerar-se autorizado a afirmar a unidade essencial e profunda da doutrina de Comte.(¹)
(¹) Comte, afirmando vigorosamente a unidade de seu sistema, reconhece que houve duas carreiras em sua vida. Na primeira, diz ele sem falsa modéstia, ele foi Aristóteles e na segunda será São Paulo.
ÉMILE DURKEIN(1858-1917)
No pensamento durkeiniano a sociedade prevalece sobre o indivíduo, pois quando este nasce tem de se adaptar às normas já criadas, como leis, costumes, línguas, etc.
O indivíduo, por exemplo, obedece a uma série de leis impostas pela sociedade e não tem o direito de modificá-las.
Para Durkein o objeto de estudo da Sociologia são os fatos sociais. Esses fatos sociais são as regras impostas pela sociedade (as leis, costumes, etc. que são passados de geração à geração).
É a sociedade, como coletividade, que organiza, condiciona e controla as ações individuais. O indivíduo aprende a seguir normas e regras que não foram criadas por ele, essas regras limitam sua ação e prescrevem punições para quem não obedecer aos limites sociais.
Durkein propôs um método para a Sociologia que consiste no conjunto de regras que o pesquisador deve seguir para realizar, de maneira correta, suas pesquisas. Este método enfatiza a posição de neutralidade e objetividade que o pesquisador deve ter em relação à sociedade: ele deve descrever a realidade social, sem deixar que suas idéias e opiniões interfiram na observação dos fatos sociais.
MAX WEBER (1864-1920)
Para Weber a sociedade pode ser compreendida a partir do conjunto das ações individuais. Estas são todo tipo de ação que o indivíduo faz, orientando-se pela ação de outros.
Só existe ação social, quando o indivíduo tenta estabelecer algum tipo de comunicação, a partir de suas ações com os demais.
Weber estabeleceu quatro tipos de ação social. Estes são conceitos que explicam a realidade social, mas não são a realidade social:
1 – ação tradicional: aquela determinada por um costume ou um hábito arraigado;
2 – ação afetiva: aquela determinada por afetos ou estados sentimentais;
3 – racional com relação a valores: determinada pela crença consciente num valor considerado importante, independentemente do êxito desse valor na realidade;
4 – racional com relação a fins: determinada pelo cálculo racional que coloca fins e organiza os meios necessários.
Nos conceitos de ação social e definição de seus diferentes tipos, Weber não analisa as regras e normas sociais como exteriores aos indivíduos.
Para ele as normas e regras sociais são o resultado do conjunto de ações individuais.
Na sua concepção o método deve enfatizar o papel ativo do pesquisador em face da sociedade.
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